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terça-feira, 28 de outubro de 2014

BERNARDO FRÓES BICALHO LANÇA BIOGRAFIA DE MARCOS NORONHA

























biografia escrita pelo nosso colunista Bernardo Fróes Bicalho
tem lançamento na Academia Mineira de Letras

Será no dia 03 de novembro, segunda-feira, às 19h30, no Auditório Vivaldi Moreira da Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466 - Lourdes - BH - MG), a noite de autógrafos e lançamento do livro "Marcos Noronha Do Chão aos Sonhos", do jornalista Bernardo Fróes Bicalho.
Trata-se do livro de estréia do escritor. Portador de paralisia cerebral, o jornalista pós-graduado em Comunicação e Cultura e em Língua Portuguesa, Bernardo Fróes Bicalho, 30 anos, conta a biografia de Antônio Marcos Noronha, um garoto de Areado (interior de Minas) que, desde pequeno, sonhava ser padre e em 1965,tornou-se o primeiro Bispo de Itabira.   Com 208 páginas, o livro traz prefácio escrito pelo escritor e presidente da Academia Mineira de Letras, Olavo Romano.
 A justa biografia que trata a história de Marcos Noronha até seu falecimento em 1998, "mostra ao público que muitas coisas ditas, hoje, pelo Papa Francisco, já eram defendidas por Marcos Noronha como Padre e Bispo. O sonho dele, de uma Igreja mais igualitária, preocupada com os mais necessitados, está se tornando realidade". (Bernardo Fróes Bicalho)

Bernardo Fróes Bicalho, portador de paralisia cerebral é jornalista, formado pela Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, pós-graduado em Comunicação e Cultura (UNI-BH) e Língua Portuguesa (PUC/MG).Atuou como revisor de texto na Imprensa da Câmara Municipal de Belo Horizonte e fez estágio, de 2008 a 2010, na PRODIGITAL, onde também fazia revisão de textos, além de edição de vídeo e atualização de site. Bernardo é colunista  regular de www.eficienciaespecial.blogspot.com. Em 2010, criou o site www.marcosnoronha.com.br que resume a trajetória de vida de Marcos Noronha, protagonista da biografia que lança no dia 03.
"Marcos Noronha Do Chão aos Sonhos" conta a biografia de Antônio Marcos Noronha, um garoto de Areado (interior de Minas) que, desde pequeno, sonhava ser padre.  Nas brincadeiras que fazia, com os colegas, ele bancava o padre, mas com a maior pose que se possa imaginar.Aos 11 anos, foi para o Seminário e, no dia 7 de dezembro de 1947, foi ordenado padre, indo morar em Guaxupé, cidade que o adotou como filho. Lá, trabalhou como Cura da Catedral, Capelão, Vigário Geral, Vigário Capitular e fundou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guaxupé. Em 1965, foi ordenado o primeiro Bispo de Itabira.Ficou cinco anos comandando a Diocese itabirana. Nesse período, ajudou na criação de três universidades na cidade. Por ser visionário, querer uma Igreja onde pobres e ricos fossem iguais e ver que isso não estava sendo possível da maneira como ele sonhava, decidiu sair. No dia em que ele deixou a Diocese, a Catedral caiu. Voltou para Guaxupé, onde foi professor e diretor da faculdade que foi fundada por ele, em 1965. Depois, mudou-se para São Paulo e foi trabalhar na FEPASA.Casou-se em 20 de dezembro de 1976, vindo morar em Belo Horizonte. Aqui, trabalhou na Fundação João Pinheiro, SERPRO, PRODECOM, Secretaria de Educação e como revisor de textos, na época de Patrus Ananias na prefeitura.Marcos morreu em 1998, aos 73 anos. A partir daí, Bernardo Fróes Bicalho, então com 13 anos, começou a pesquisar e escrever sobre o tio, tão querido e admirado por ele.
Noite de autógrafos e lançamento do livro
"Marcos Noronha Do Chão aos Sonhos",
de Bernardo Fróes Bicalho
03 de novembro, segunda-feira, às 19h30,
Auditório Vivaldi Moreira da Academia Mineira de Letras
Rua da Bahia, 1466 - Lourdes - BH - MG
Entrada Franca
Preço do Livro: R$30,00 (trinta reais)

Prefácio de "Marcos Noronha Do Chão aos Sonhos",
por Olavo Romano:

SAUDADE QUE PERMANECE, DÍVIDA QUE NÃO SE PAGA
Este livro fala de Marcos Noronha, de sua forte marca como sacerdote, educador, cidadão e ser humano raro cuja memória o sobrinho Bernardo se empenha em perpetuar.
O projeto nasceu com a morte de Marcos, há dezesseis anos.
Como sacerdote, Antônio Marcos Noronha era presença expressiva na Igreja e na vida dos fiéis, cujas alegrias e sofrimentos acompanhava de perto, desde o tempo em que, apeando de sua lambreta, batia palmas à porta ou varava casa adentro numa alegre falta de cerimônia que a todos encantava.
Profundamente comprometido com sua vocação missionária, chegou a Bispo, desenvolvendo fecunda obra na Diocese de Itabira, cidade para onde seus restos mortais foram trasladados. No dia em que comunicou à comunidade sua decisão de renunciar ao sacerdócio, conta-se que a torre da igreja caiu e o prefeito suicidou.
Convivi com Marcos Noronha, que muitos continuavam chamando de Dom Marcos, na Fundação João Pinheiro, na Secretaria da Educação e do Planejamento. No PRODECOM - Programa de Desenvolvimento de Comunidades, vivemos com entusiasmo a pioneira experiência de planejamento participativo na administração pública mineira. Na Favela do Cafezal, Marcos orientava animadas assembleias em que os moradores, no fecundo e democrático exercício da cidadania, definiam livremente suas prioridades, mesmo na vigência da ditadura militar. A primeira obra foi um chafariz, inaugurado com a presença do governador Francelino Pereira e Dona Latife, do secretário Paulo Haddad, do prefeito Maurício Campos. Com o amadurecimento do processo de decisão coletiva, vieram a urbanização de favelas, a regularização de lotes, permitindo o financiamento de melhorias das casas, num inédito envolvimento popular nas decisões coletivas.
Antes, Marcos como Superintendente Educacional, eu como Chefe de Gabinete da Seplan, passamos noites intermediando, com a liderança do magistério estadual, o fim da greve que se estendia por longo tempo sem solução.
A fraterna amizade nos levou a uma sociedade na compra de uma sala no centro da cidade, cada um buscando no outro o tino comercial que lhe faltava. Percebido o engano recíproco, foi com alívio que encerramos a fugaz parceria. 
Conheci Bernardo ainda adolescente. Trabalhei com seu pai, de quem continuo amigo. Tornei-me amigode sua mãe, irmã de Zélia, viúva de Marcos, com quem mantenho antiga amizade. Mas Bernardo, com sua irresistível simpatia e capacidade de comunicação, capturou-me para sempre no círculo de seus numerosos admiradores, que inclui a nata da nossa cultura popular, reunida em memoráveis saraus em sua casa, nos quais o anfitrião exibe seus dons de cantor e compositor.
Guerreiro que venceu limitações de fala e movimento construindo uma vida plena de alegria e otimismo, Bernardo cumpre, com este livro, um compromisso de sua alma: perpetuar a memória do tio, que ele sempre chama de Pô. Citando frase de meu depoimento, "A pior morte é o esquecimento", Bernardo achava que, contando a história de Marcos, a saudade iria diminuir. Mesmo isso não tendo acontecido, resolveu levar adiante o projeto.
Depois de longa incubação, o antigo propósito ganhou novo ímpeto. Em pouco tempo, retomou as entrevistas, transcreveu fitas antigas, repassou depoimentos de parentes, amigos e colegas do Pô, e cumpriu o compromisso que o afeto plantara em seu coração. Assim, podemos testemunhar o resgate de uma vida inteira, desde o nascimento, em Areado, a infância de um menino comum, que cresceu entre primos e irmãos, brincando e brigando, como qualquer criança. Muito inteligente, mas também muito levado, Marcos, desde cedo, sonhava ser padre. Paramentado com jornal, celebrava missas de brinquedo, antes de virar coroinha. Com oito anos, desapareceu, sendo encontrado na cadeia, conversando com os presos.
No exaustivo garimpo para reconstituir uma existência rara, Bernardoreviveu e revolveu o tesouro da amorosa relação entre um menino e seu admirado tio. "Falar nele, para mim, é muito fácil, ao mesmo tempo, muito difícil", confessa o autor.
Nas lembranças permanentes, a presença constante: à fisioterapia, à natação, à equitação, ao shopping, com parada obrigatória nas livrarias. O primeiro livro, não dá para esquecer: "Comédias da Vida Privada", do Luiz Fernando Veríssimo. E, todo dia, o infalível, esticado e divertido bate-papo.
 Nas aulas de História com a tia Zélia, se o telefone a chamava, era sagrado: ele levava o "sem fio" para ela, tio e sobrinho aproveitavam a oportunidade extra para conversar um pouco mais, torcendo para o telefonema durar muito - e o papo também.
Tratado como adulto, o menino adorava conversar com o tio que tinha alma de criança. E vice-versa.Muitas vezes, casa cheia, os dois escapuliam para brincar, rir e bater papo. Marcos contava casos e piadas engraçadas, lia trechos selecionados, pegava um caderno de anotações, que Bernardo batizou de "Diarinho", contos do livro dele no Caderno de Endereços. Adorava que oBê fosse dormir na casa dele, recebia o sobrinho de braços e coração abertos, o sorriso constante a iluminar a convivência.

Com este livro, Bernardo cumpre o desejo, o compromisso de reverenciar a memória do tio querido, de impedir que Marcos Noronha seja esquecido. É um salto admirável a estreia deste jovem valente e talentoso na literatura. Ainda assim, ele diz, amorosamente agradecido: "Qualquer homenagem que eu fizer, ainda é pouco, pela importância dele na minha vida.". 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Psicólogo com paralisia cerebral defende inclusão escolar

O psicólogo e escritor Emílio Figueira, 42, em sua casa, em São Paulo
(descrição imagem:O psicólogo e escritor Emílio Figueira, 42, em sua casa, em São Paulo)
Caro leitor,
A paralisia cerebral dificulta a fala e a coordenação motora, mas não a produção intelectual do psicólogo paulistano Emílio Figueira, 42.
A deficiência não o impede de estudar, escrever, ler, atualizar seus sete blogs e ministrar aulas on-line. Passa a maior parte do tempo em casa, no computador, no qual digita usando só a mão direita.
Para ele, o empenho da sua família no seu desenvolvimento foi um fator que o tornou um exemplo bem-sucedido de inclusão.
Na década de 70, inclusão não era uma palavra conhecida. O foco das instituições voltadas a deficientes era adaptá-los à sociedade.
Hoje o modelo se inverteu: é a sociedade que deve mudar para incluir os deficientes. “Até os anos 80, éramos vistos como coitadinhos. Tudo era cultura assistencialista. Mas nos organizamos e saímos do isolamento.”
sobre paralisia cerebral
Na adolescência, Emílio se mudou para Guaraçaí, (397 km de São Paulo), onde frequentou pela primeira vez uma escola regular. Vida normal! Nadava, jogava bola, ia a bailes. Viver entre garotos sem deficiência foi essencial ao seu crescimento, diz.
Aos 16, teve o primeiro livro publicado, de poemas. Não parou mais: calcula ter escrito 70, metade jogou fora. A obra mais recente, “O Que é Educação Inclusiva” (Brasiliense, R$ 19), trata de um dos seus temas favoritos.
A convivência entre pessoas com e sem deficiência traz vantagens para todos, prega. “Se você educar uma criança com deficiência entre iguais, não haverá estímulos. Mas, se ela for para uma escola normal, se autoestimulará.”
Nas faculdades, diz ele, o pior é a falta de material adaptado, como livros em braille: “Grande parte delas faz vista grossa para isso. O caminho é fazer movimento”.
Emílio considera a legislação brasileira sobre inclusão avançada, mas vê armadilhas na maneira como a Lei de Cotas (obriga empresas com mais de cem funcionários a reservar 5% das vagas a deficientes) vem sendo conduzida. “As empresas oferecem ou cargos baixos ou com alto nível de exigência. E dão a desculpa que há vagas, mas não há gente qualificada.”
Apesar das suas conquistas, há muitas coisas que gostaria de fazer, mas não pode.Dirigir, por exemplo. “Falar que eu levo uma vida totalmente normal é demagogia.”
O escritor Emílio Figueira, 42, que tem paralisia cerebral
(descrição imagem: O escritor Emílio Figueira, 42, que tem paralisia cerebral)
O psicólogo conta que deseja viver uma história de amor, e a internet é sua aliada na busca. Contatos virtuais ajudam, segundo ele, a diminuir o estigma. “É possível conhecer a pessoa por dentro antes do primeiro encontro.”
Emílio quer escrever um livro sobre sua experiência nos sites de relacionamento. “Espantei Mais Uma!” será o título. “Eu começava a conversa com as moças e na segunda mensagem já revelava minha deficiência. A maioria nunca mais me respondia. Cheguei a ter relacionamentos com duas, de uma gostei de verdade. Pensamos em nos casar, mas a família dela não deixou. Mas não me abalo fácil: continuo nos sites, tenho fé.”
(fonte: Folha de São Paulo)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Estudante com paralisia cerebral é o 1º em MG a conseguir tirar a CNH












 (Descrição foto: Lucas Samuel Réus Araújo sentado ao volante- credito TV Integração)
Quatro meses e muita força de vontade. Foi assim que o estudante de engenharia civil em Uberlândia, Lucas Samuel Réus Araújo, que tem paralisia cerebral, conseguiu ser o primeiro no estado de Minas Gerais a tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pelo Departamento de Trânsito do estado.
O documento foi entregue nesta sexta-feira (16 de dezembro) ao jovem na Delegacia de Trânsito de Uberlândia. “Eu jamais vi uma família que se dedicasse tanto ao filho como a família de Lucas. Ele é muito esforçado e determinado e não foi surpresa para mim ele conseguir isso, pois poucas pessoas têm tanta vontade de vencer como ele,” disse a delegada de Trânsito Ravênia Márcia de Oliveira Leite.
Os testes de rua e legislação foram feitos em uma autoescola em Uberlândia. Já o exame psicotécnico, que inclui avaliação médica e psicológica para portadores de deficiência, só pode ser feito em Belo Horizonte. Ao todo, foram 45 aulas teóricas, onde Lucas atingiu 27 pontos e 57 horas aulas de direção, 27 a mais do que é recomendado. Além disso, o veículo da instituição é adaptado com peças e acessórios especiais para o tipo de deficiência que o estudante tem.
O veículo tem adaptações obrigatórias como manopla de direção, direção hidráulica, embreagem e freio na mão ou automático. De acordo com a delegada, existe na cidade a procura pelo exame, mas não é grande e os equipamentos são caros, por isso é analisada a possibilidade de realizarem os exames psicotécnicos com simulador na cidade.
(fonte: G1)